CEO da Fotto participa do Fala Time Cast e fala sobre IA e fotografia esportiva

· 6 minutos de leitura
CEO da Fotto participa do Fala Time Cast e fala sobre IA e fotografia esportiva
Entrevista no podcast Fala Time Cast com CEO da Fotto, Marcelo Moscato, e CEO da Chelso Sports, Guilherme Celso. Foto por: Fe Badin

Marcelo Moscato, CEO da Fotto e da Alboom, participou do episódio 94 do Fala Time Cast, podcast da Chelso Sports, publicado no canal oficial do YouTube, em 4 de junho de 2026.

A entrevista foi conduzida por Guilherme Celso, CEO da Chelso, e teve como pauta o futuro da fotografia esportiva, o papel da inteligência artificial e os próximos passos da plataforma.

A fotografia esportiva vive um momento de transformação acelerada. O que antes dependia de processos manuais, longas esperas e identificação visual demorada hoje passa por inteligência artificial, automação, pagamentos integrados e novas formas de organização entre fotógrafos, líderes e eventos.

A conversa percorre a trajetória de Moscato, a evolução da plataforma e os bastidores de uma mudança profunda no mercado de fotografia esportiva.

Da tecnologia corporativa ao empreendedorismo na fotografia

Antes de empreender no mercado fotográfico, Marcelo Moscato construiu uma trajetória sólida no setor de tecnologia. Formado em Ciência da Computação, passou por empresas como Lucent Technologies e SAP, onde acompanhou de perto o impacto de grandes plataformas, integrações tecnológicas e aquisições de empresas inovadoras.

CEO da Fotto, Marcelo Moscato, no Fala Time Cast. Foto por: Fe Badin

Essa experiência foi decisiva para sua visão de negócio. Ao observar como startups conseguiam criar soluções ágeis para problemas reais, Moscato decidiu investir em um projeto ligado à fotografia. Esse movimento deu origem à Alboom e, posteriormente, à Fotto.

A Alboom nasceu para resolver uma dor recorrente dos fotógrafos: a dificuldade de criar e manter uma presença digital profissional de forma simples, autônoma e eficiente.

Com o tempo, o ecossistema evoluiu, incorporou soluções de pagamento e abriu caminho para uma decisão estratégica: criar uma marca dedicada exclusivamente ao mercado esportivo.

A criação da Fotto e a escolha por uma marca própria

A Fotto surgiu como uma marca independente para atender de maneira mais específica o universo da fotografia esportiva e de eventos.

A decisão de criar uma nova marca, em vez de apenas estender a Alboom, mostra uma leitura estratégica importante: o esporte tem linguagem própria, urgência própria e comportamento de consumo próprio.

Na entrevista, Moscato deixa claro que a fotografia esportiva exige uma estrutura diferente. O volume de imagens é alto, a operação em campo é intensa e a janela de venda é curta.

Em muitos casos, a maior parte das vendas acontece nas primeiras horas ou nos primeiros dias após o evento.

Isso muda tudo. A tecnologia deixa de ser apenas um apoio operacional e passa a fazer parte do próprio valor entregue ao atleta.

A tecnologia deixa de ser apenas um apoio operacional e passa a fazer parte do próprio valor entregue ao atleta,  e nenhuma decisão ilustra isso melhor do que o reconhecimento facial gratuito.

Reconhecimento facial gratuito como decisão estratégica

Um dos pontos mais fortes da conversa é a decisão da Fotto de oferecer reconhecimento facial gratuito desde o início.

Em um mercado no qual a identificação de imagens sempre foi uma etapa crítica, a plataforma apostou que a inteligência artificial seria capaz de transformar esse processo.

A escolha foi ousada. Enquanto parte do mercado ainda dependia fortemente do reconhecimento numérico, a Fotto passou a apostar no rosto do atleta como caminho principal para encontrar as fotos.

Na prática, isso impacta diretamente a experiência de compra, tendo em vista que o atleta encontra suas fotos com mais rapidez.

Para o fotógrafo, o ganho também é relevante. Ao reduzir o tempo gasto com tarefas repetitivas, a tecnologia permite que o profissional se concentre mais na captura, na criatividade, na operação em campo e na qualidade do material entregue.

Fotografia esportiva e o valor da velocidade de entrega

A entrevista também ajuda a entender uma característica central da fotografia esportiva: ela é movida por emoção, memória e velocidade.

Quando um atleta cruza a linha de chegada, completa uma prova difícil ou supera um desafio pessoal, a fotografia deixa de ser apenas registro.

Ela se torna prova simbólica da conquista. A imagem carrega esforço, identidade, orgulho e pertencimento.

Por isso, o tempo de entrega é tão importante. A foto vendida no dia do evento tem uma força diferente da foto entregue quando a emoção já esfriou.

A tecnologia entra justamente para encurtar essa distância entre o momento vivido e a lembrança compartilhável.

Nesse sentido, a Fotto não atua apenas como uma plataforma de hospedagem e venda de imagens.

Ela organiza uma cadeia completa, conectando fotógrafos, líderes, atletas, eventos, pagamentos e inteligência artificial. E dentro dessa cadeia, os líderes locais ocupam um papel que vai além da operação.

O papel dos líderes locais

Outro ponto central da visão de Marcelo Moscato é o modelo descentralizado de atuação. A Fotto não parte da ideia de que todos os eventos precisam ser geridos a partir de uma estrutura central. Pelo contrário, a plataforma valoriza o papel dos líderes locais.

Esses líderes conhecem suas regiões, seus eventos, suas equipes e suas realidades de mercado. Eles sabem como negociar, como organizar a cobertura, como montar times e como lidar com os desafios de cada praça.

A Fotto entra como infraestrutura. Oferece tecnologia, suporte, reconhecimento facial, sistema de venda, pagamentos e ferramentas para facilitar o trabalho. Mas a inteligência local continua sendo decisiva.

Essa combinação entre tecnologia centralizada e liderança descentralizada é uma das bases do crescimento da plataforma.

Ela permite escala sem apagar o papel humano do fotógrafo e do empreendedor local. É justamente sobre esse papel que Moscato se aprofunda ao falar sobre inteligência artificial.

Tecnologia para libertar o fotógrafo, não para substituí-lo

Em um momento em que a inteligência artificial costuma ser discutida a partir do medo da substituição, a entrevista apresenta uma visão mais prática.

Para Moscato, a IA deve assumir tarefas repetitivas, acelerar processos e melhorar a experiência de compra, mas não substitui o olhar do fotógrafo.

Na fotografia esportiva, há decisões que continuam profundamente humanas. Onde ficar, qual lente usar, como antecipar um gesto, como perceber a emoção de um atleta, como entender o ritmo de uma prova e como transformar uma cena rápida em imagem memorável.

A tecnologia pode encontrar rostos, organizar galerias, aplicar ajustes e facilitar vendas. Mas a fotografia ainda nasce no campo, no barro, na chuva, no calor, no esforço físico e na leitura do acontecimento.

É nesse ponto que a entrevista toca em algo essencial: o futuro da fotografia esportiva não será definido apenas por quem tiver mais tecnologia, mas por quem souber integrar tecnologia, operação e sensibilidade. Na prática, é exatamente isso que a Fotto 3.0 busca construir.

Fotto 3.0 e os próximos passos

A entrevista também apresenta caminhos ligados à evolução da plataforma, incluindo recursos pensados para simplificar a vida dos fotógrafos e ampliar as oportunidades de trabalho.

Entre os pontos mencionados estão a Central de Oportunidades, que deve facilitar a conexão entre líderes e fotógrafos; recursos de edição com inteligência artificial; melhorias no fluxo de upload; notificações de venda; organização de acervos antigos e integrações que ajudam a reduzir o tempo operacional.

Essas frentes apontam para uma Fotto cada vez mais posicionada como infraestrutura completa para o mercado esportivo.

Não apenas um lugar para vender fotos, mas um ambiente para organizar trabalho, gerar oportunidades, automatizar processos e ampliar receita.

A parceria com a Chelso e a força do ecossistema

Como parceira estratégica da Fotto, a Chelso representa uma conexão direta com a prática da fotografia esportiva em campo, com seus desafios reais, sua operação intensa e sua relação próxima com atletas e eventos.

Essa aproximação reforça uma ideia importante: o crescimento da fotografia esportiva não depende apenas de uma empresa ou de uma tecnologia isolada.

Depende de ecossistema. Plataformas, líderes, fotógrafos, organizadores, marcas e atletas precisam atuar de forma conectada.

A entrevista com Marcelo Moscato mostra justamente esse movimento. A Fotto se posiciona como infraestrutura tecnológica, mas reconhece que a força do mercado está nas pessoas que fazem a fotografia acontecer em cada cidade, prova e modalidade.

Um novo estágio para a fotografia esportiva

A conversa no Fala Time Cast deixa uma mensagem clara: a fotografia esportiva entrou em um novo estágio.

A captura continua sendo essencial, mas agora ela está conectada a dados, inteligência artificial, pagamentos, automação, experiência do usuário e velocidade de entrega.

Para o atleta, isso significa encontrar suas fotos de forma mais simples e rápida.

Para o fotógrafo, significa ter uma estrutura mais robusta para vender, organizar e escalar seu trabalho.

Para os líderes locais, significa transformar conhecimento de campo em negócio.

E para o mercado, significa que a fotografia esportiva não deve ser vista apenas como cobertura de evento, mas como parte de uma economia maior, movida por emoção, tecnologia e empreendedorismo.

A entrevista completa com Marcelo Moscato no Fala Time Cast é um registro importante desse momento.

Ela mostra os bastidores da construção da Fotto, mas também aponta para uma pergunta maior: como a tecnologia pode ajudar a fotografia a gerar mais valor sem apagar aquilo que torna cada imagem única?

Artigo escrito em parceria com Leo Saldanha